Poxveni

Física & Comédia

Human: Fall Flat

Um sonho sem manual de instruções

Estúdio
No Brakes Games / 505 Games
Lançamento
2016
Género
Puzzle físico, Aventura, Sandbox
Leitura
3 min
Bob a tentar empurrar um vagão amarelo junto a uma locomotiva preta, com os botões das mãos no canto
“A única aventura em que cair de cara ao chão é, quase sempre, o melhor resultado possível.”Redação Poxveni

Três momentos do jogo

Cartaz do nível Candyland: castelos cor-de-rosa, arco-íris e personagens vestidas de doces
Cartaz do nível Candyland: castelos cor-de-rosa, arco-íris e personagens vestidas de doces
Menu de personalização com o boneco vestido de pirata e a lista de peças em português
Menu de personalização com o boneco vestido de pirata e a lista de peças em português
Dois bonecos a escalar um andaime numa zona de obras, com o aviso de jogo em grupo por cima
Dois bonecos a escalar um andaime numa zona de obras, com o aviso de jogo em grupo por cima

Capturas da ficha de Human: Fall Flat na Google Play, No Brakes Games / 505 Games.

Sinopse

Bob adormece e o sonho não vem com direções. Ilhas suspensas no vazio, andaimes que terminam a meio do nada, mecanismos que parecem ter sido montados por outro sonhador distraído a meio da obra. Não há vilão, não há discurso de abertura, não há sequer certeza sobre o que Bob está mesmo a tentar alcançar — só a paisagem seguinte, sempre um pouco mais estranha do que a anterior. Cada capítulo existe apenas enquanto ele dorme, o que talvez explique porque nada ali obedece à lógica de vigília: portas que levam a lado nenhum, guindastes que só fazem sentido se forem usados da forma errada, e uma sensação constante de que a solução certa está a um empurrão de distância.

Atmosfera

A paleta é pastel, a luz é difusa, e a física ragdoll transforma cada queda em parte do espetáculo em vez de um erro a esconder. Bob balança, tropeça, escorrega por rampas que não devia ter tentado descer — e o jogo nunca pune essa desordem, porque a desordem é o ponto. Não há música de tensão, não há contagem regressiva; o ritmo é o de alguém a explorar um sítio sem pressa de sair dele, mesmo quando esse sítio insiste em não colaborar.

Género e jogabilidade

Cada braço de Bob é controlado de forma independente, o que transforma tarefas simples — segurar uma alavanca, empurrar uma caixa, trepar uma escada — em pequenos exercícios de coordenação que raramente saem como planeado, e é exatamente aí que está a graça. Não há combate, não há relógio a contar contra o jogador: os puzzles ambientais de cada fase aceitam mais do que uma solução, e encontrar uma rota tosca e pessoal costuma ser mais satisfatório do que seguir o caminho "certo". No modo cooperativo, local ou online, o caos multiplica-se por cada par de braços extra em cena — o que normalmente piora a coordenação e melhora a experiência.

Contexto cultural

O sucesso de Human: Fall Flat deve muito aos clips de física caótica partilhados nas redes sociais muito antes do jogo chegar ao telemóvel — a "falha" tornou-se o produto, o momento em que Bob cai de um andaime de forma ridícula é mais partilhável do que qualquer vitória limpa. Há aqui uma metáfora simpática, ainda que nunca forçada: lidar com obstáculos absurdos sem precisar de os resolver à primeira, rir da própria queda e tentar outra vez sem drama. Poucos jogos transformam o fracasso num convite tão aberto para continuar a jogar.

  • Controlo independente de cada braço para trepar, empurrar e atirar objetos
  • Puzzles ambientais com mais do que uma solução válida
  • Cooperativo local e online para resolver o caos a dois ou mais

Download Human: Fall Flat na Google Play